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Ninguém é
obrigado a morrer como nasceu. Há dezenas de alternativas. Mas não resta
dúvida que se erra menos quando não se altera a vidinha rotineira. É a
opção pela chatice, pela mesmice, o não trocar o “certo pelo duvidoso”. E
assim a vida rola num mundinho tão irrisório que é de se perguntar para quê
serviu viver tantos anos. Que coisa.
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Os cães
têm uma impressionante capacidade de influenciar a vida humana. Coisas de cachorro
custam mais caro que coisas de criança, mas a fidelidade que esses animais
imprimem faz com que, na comparação, muitos os prefiram a conviver com
humanos. São companheiros que têm muitas virtudes. Não reclamam, custam
pouco, não têm TPM e, o principal, não falam.
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Os
privilegiados que têm carro querem fazer do trânsito um problema quando, na
verdade, os carros é que são um problema. Não faz sentido uma máquina de 8 m² levar apenas uma pessoa quando cabem
4 pessoas num metro quadrado. Mas a sedução que o carro provoca nas pessoas
chega a ser uma obsessão. Carro custa mais que uma amante e nem sempre dá
prazer igual.
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Quanto
tempo dura “Só um minuto!”? Um minutinho? Alguns minutinhos? A noção de tempo
aleatório que as pessoas dão para os outros esperarem chega a ser risível.
Alguns, mais generosos e sinceros sugerem “Dois minutinhos!”. Não há
qualquer compromisso com a palavra dita. É como “Eu te amo eternamente!”
que costuma durar até acabar.
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A
sabedoria é uma ilusão dado o número de pessoas que nos consideram idiotas,
e vice-versa. Essa é a vantagem de termos filhos jovens e namoradas
apaixonadas. Esses, até que cresçam ou nos casemos, nos acham geniais. Após
isso voltamos a ser imbecis de novo. Colecionar admiradores dá grande
prazer, mas é uma utopia. A regra é sermos boçais.
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A
paciência e a tolerância não é algo que devemos praticar em favor de
alguém, mas em favor de nós mesmos. Ser pacience e tolerante produz uma paz
e uma capacidade de ver erros que podemos evitar para nossas vidas. Toda
pessoa intolerante tem tendências a ser tirano, déspota e indesejado. Aos
poucos conseguimos da vida o estritamente merecido.
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Vergonha
é um sentimento de insegurança provocado pelo medo do ridículo, por
escrúpulos, etc. Mas é um sentimento pobre na medida em que não há de que
se envergonhar quando se tem pureza de alma e sinceridade de espírito. A
vergonha deveria vir dos nossos eventais escorregões, quando não
conseguimos nos olhar no espelho firmemente.
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Toda
pessoa destemida é estruturalmente burra. O medo é um recurso da vida para
darmos limites às nossas ações. Se não temos qualquer temor nos submetemos
a riscos desnecessários e acabamos nos prejudicando de forma estúpida e inconseqüente.
Saber usar o medo como proteção de nós próprios é sinal de sabedoria. Ter
medo de tudo já é burrice também.
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A dor não
significa apenas um incômodo e nem um simples prazer para os masoquistas. A
dor é uma forma de reflexão sobre o valor das coisas. Não se consegue
entender o verdadeiro valor dos dedos até que se dê uma martelada num
deles. E assim é quando se perde o filho. Talvez só a dor da perda nos faça
ver que poderíamos ter feito um pouco mais ou menos.
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O prazer
é irmão bastardo do vício. Assim como sempre há uma justificativa rápida
para o vício, o mesmo se aplica ao prazer. Não se pode repetir uma coisa
cotidianamente e dar a isso o nome de prazer. O prazer que escraviza só
encontra porto em mentes pobres. Não há prazer no trabalho, nem na fome,
nem no sexo. É um vício ou necessidade. Prazer, não.
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Prefiro
as pessoas que não sabem às que têm certeza. Somos
frutos das circunstâncias e estamos no mundo esperando a morte chegar. O que
nos resta fazer é sofrer o menos possível e desfrutar o mais que pudermos.
Afinal nós não viemos ao mundo. Colocaram-nos nele e isso é fundamental
para entender a vida. Se fosse possível, ninguém escolheria nascer.
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Se um dia
não houvesse um acordo de cessar fogo e de paz as guerras jamais
terminariam. As guerras matam só inocentes. Não há um canalha diretor de
guerra que tenha sido morto. Até Hitler se matou, mas não foi morto. Se a
guerra vai acabar em paz, por que começá-la e não fazer a paz antes da
guerra? Ah, a indústria bélica pode gerar demissões. Entendi...
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O rancor
é uma “lembrancinha” que guardamos de nossas mágoas. Sempre guardamos algo
que nos faça reviver momentos inesquecíveis e, assim como um souvenir ou cartão
postal, o rancor cumpre essa função. Cada mágoa ou ofensa sentida, quando
se necessita sofrê-la de novo, buscamos na alma o
rancor e ele nos trará de volta a emoção vivida. Funciona.
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A doutrina
é um conjunto de princípios que serve de base a um sistema religioso,
político, filosófico, científico, etc. Mas não se vê nisso uma virtude.
Incutir um conjunto de princípios é apenas um ato de autoritarismo, seja
ele suave ou rude. Não há um debate sincero onde se apresenta os princípios
para cada um escolher os seus. Isso não parece muito justo.
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A mãe é que introduz o pai naquela relação que
no início é só entre a mãe e o bebê, e a partir daí, cabe ao pai sustentar
o seu lugar na vida dos dois. Mas pra mãe fazer isso, ela precisa ter
dentro de si a noção de limite. A mãe pode ficar tão encantada com a
própria cria que ela perde o interesse por todo o resto do mundo. Aí o pai
sobra, perde o lugar, fica de fora.
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Sempre usamos, quando crianças, nosso pai ou mãe
para advogar a nosso favor um contra o outro. Temos sempre confiança de que
os argumentos serão aceitos. Nem sempre conseguimos e, como sempre,
culpamos o advogado. O ser humano só entende justiça quando ela lhe é
favorável. Toda decisão contra nossos interesses é injusta ou falha.
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O cooperativismo é mais decente que a competição
porque competir gera situações ridículas. Como se pode elevar um humano ao
nível de “genial” por ele ter sido um centésimo ou um milésimo de segundo
mais rápido que o outro e, ao mesmo tempo, nem sabermos o nome de quem
chegou tal milésimo atrás? Na cooperativa só existem cooperativados.
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A previdência, ou pré-vidência, é a sabedoria de
perceber que mesmo não parecendo, as coisas vão acontecer. É uma estupidez
ver um velho e não enxergarmos que já foi uma criança e que, da mesma
forma, ficaremos igual e morreremos com dor ou não. Toda ingenuidade que
visa a eternidade gera velhices pobres e sofridas.
São os juros que paga quem não poupou.
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A imaginação é uma espécie de cinema natural do
ser humano. Tem imagem, som, a gente mesmo dirige e coloca para atuar quem
imaginarmos. Somos roteiristas, iluminadores, nós mesmo criamos figurinos e
escolhemos cenários. A imaginação é capaz de filmes impressionantemente
lindos e só tem um inconveniente: Só nós podemos assistir...
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Não vejo beleza no politicamente correto ou em
qualquer conceito de “correto” a não ser o ecologicamente correto. É preciso,
além de reutilizar e reciclar tudo o que produzimos artificialmente, como
vidros, latas e plásticos, não tirar da Natureza nada além do necessário.
Uma folha de papel a mais é um desperdício de árvore e todo o desperdício é
burro.
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A soberba é o menor dos pecados dos que detêm o
poder. A primeira virtude que o poder corrompe é a humildade. Ainda que
pareçam humildes não passa de humildade vaidosa e a única beleza da
humildade é a sinceridade. Ainda que neguem, não há quem não deseje o
poder, mesmo que seja para repudiá-lo em seguida. Mas o
repúdio é sempre fingido.
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O vazio, o silêncio e o nada são sensações
perturbadoras. São coisas complexas que atormentam a alma. O vazio
completo, o silêncio ensudercedor e o nada suficiente. O ser humano tem uma
dificuldade imensa em lidar com o zero, porque este não tem lado, não tem
começo nem fim e transforma o tudo em nada, e vice versa, dependendo de que
lado da vírgula está.
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A forma como se encaram os problemas da vida é que
definirá se este deixará ou não de ser um problema. Tudo depende da atitude
que tomamos em relação a eles. Quando o encaramos e, antes mesmo de começar
o lamento buscamos as alternativas possíveis, as chances de sucesso
aumentam e a solução aparece. Problema resolvido não dói.
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A paixão é a droga que deturpa os conceitos de
amor, ódio, feio, bonito e demais sentimentos emocionais. O alicerce da
paixão é a irracionalidade. Mas toda droga tem o fim de seus efeitos e o
que sobra é a realidade. O amor fica estranho, o ódio relativo, a feiúra
branda e a beleza normal. Seria bom viver sem paixão, mas raramente nos
emocinaríamos sem ela.
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Ser civilizado é marchar igual. É seguir manual
de postura e compostura. Todavia, se tiver poder e fama, a promiscuidade
não é chula, o roubo não é crime, a corrupção é um descuido, o dinheiro não
tem valor de face, a urgência pode esperar, a dignidade é relativa, a moral
é uma tese, o direito é teórico, a justiça frustra, a honra desvanece, e a
pátria vira um mapa.
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A tristeza jamais pode ser encarada como algo
totalmente ruim. Não fosse ela não daríamos o menor valor aos momentos de
alegria e prazer. Damos valor à fartura quando estamos na miséria, à saúde
quando estamos doente, à amizade quando somos
abandonados, à decência quando somos injuriados, e à verdade quando olhamos
a humanidade.
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Civilizar é domesticar e adestrar humanos. Por
isso a primeira edificação da civilização precisa ser a prisão ou a forca.
Cada um é encaminhado para seu destino conforme os resultados do
treinamento: a liberdade limitada pelas leis, ou o encarceramento ou a
morte. Daí nasce a tortura, o castigo e todas as
outras coisas às quais damos o nome de Educação.
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De todas as doenças que matam a que desfruta de maior
prestígio é o câncer. No câncer todos são solidários. Há um verdadeiro
fascínio das pessoas por esse fenômeno. Fica difícil entender se é em
virtude da dor ou da alta probabilidade da morte. Outras tantas
enfermidades devastadoras não causam tanta emoção nas pessoas. Câncer é
tudo de bom. Nos outros.
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A inveja não é toda negativa. Pode-se vê-la como
um estímulo para conseguir aquilo que o outro tem. No entanto, se ela não
for seguida de atitude passa a ser um sentimento confuso. Você quer o que o
outro tem, mas não se move para conseguir. Talvez deduza que ele tenha
recebido dos céus. Nada que preste se conquista sem trabalho. Até herança
acaba.
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A morte nada mais é que a coroação da vida. É o
nosso Oscar. Dá para avaliar o verdadeiro valor de uma pessoa pelos
estranhos que aparecem em seu funeral para prestar uma última homenagem. Parente não conta. Mesmo que haja sinceridade acaba
sendo uma obrigação de familia. Pena que a gente não está vivo para ver se
aquele lá apareceu.
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“Não sei” é a resposta mais utilizada por
aqueles que não querem se comprometer ou pensar. É uma atitude tão
automática que nem se dão mais conta que não estão respondendo. A qualquer
pergunta, basta um “não sei” para sair do problema. Saber compromete e expõe
a julgamento. Não saber implica em não se envolver, mesmo que isso
signifique omissão.
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Uma das coisas que mais impressionam é a
capacidade que algumas pessoas têm de se incomodar com as atitudes de
outras pessoas. Na medida em que nos deixamos atingir pelo incômodo do
outro estamos promovendo-o a provocador. Não há nada mais terrível a quem
provoca que ser ignorado. Ignorar ignorantes é uma decisão de grande
sabedoria.
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As companhias que temos são como acessórios da nossa
imagem. Ainda que não sejamos como eles, quando os acompanhamos ou nos
deixamos acompanhar estamos mostrando que, no mínimo, compartilhamos a
mesma imagem. Muito se sabe de uma pessoa pelas outras que a cercam. Não há
sinceridade quando se freqüenta prostíbulos para se “resgatar” dignidades.
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A humildade é uma virtude preciosa e rara,
difícil de cultivar e principalmente de mantê-la autêntica. O drama se dá
quando a humildade passa a ser exibicionista. Aí se trocam os polos e o
nobre se torna tosco e rude. Humildade demonstrada é a pior das vaidades,
vira um desvio de caráter, uma falsidade sem dignidade ou brilho. Uma coisa
chula, imoral.
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Olhar, ver e enxergar são três verbos
dissociados. Olha-se muito, vê-se pouco e enxerga-se quase nada. Enxergar é
compreender e interiorizar, ver é dar atenção e se interessar, e para olhar basta estar acordado. Os olhos são as principais
portas da sensibilidade humana, e aquele que os usa com inteligência torna
sua vida mais interessante e culta.
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A angústia é um sentimento que nos oprime e faz
pensar na nossa pequenez. A angústia se aloja em algum lugar entre o
desalento e a depressão e nos coloca num estado de vigília que produz
sensações estranhas. Traz um sentimento de culpa de coisas que não fizemos
ou uma ânsia de fazer algo que nunca sabemos o que é. A angústia é um
deboche da vida.
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A vida se consiste em atitudes. Se
viver é ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro, há que se
buscar um parceiro fértil e copular, há que se cavar um buraco, colocar uma
semente e regar, e há que se sentar, pegar papel, caneta e escrever. Se
quiser viver melhor, ame seu parceiro, adube sua árvore e corra atrás de
uma editora. Atitudes tornam a vida viva.
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Amigo não é algo que se possa adjetivar. Não é
possível ter grande amigo, melhor amigo, verdadeiro amigo. Amigo, tal qual
a gravidez, existe ou não existe. É ou não é. Amigos adjetivados seriam
talvez com uma menstruação atrasada, ou um exame de gravidez. Quem era
amigo nunca foi. Amigo não se aborta. Amigo não se evita. Amigo acontece
para sempre.
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A opinião talvez seja o único bem do homem que
não tem importância em ter, mas sim no direito de ter. Não há demérito
algum numa pessoa que não opine sobre nada, embora aquelas que têm e formam
opinião sejam mais interessantes. Mas o direito de tê-las é sagrado. Na
verdade só se pode impedir o homem de emitir sua opinião, mas nunca de
formá-la.
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A independência não é algo que se ganha, mas sim
algo que se conquista. Só há incentivo à independência quando o dependente
gera custos. Quando ele dá lucros tudo se faz para que não seja
independente e livre. Lutar pela liberdade e independência é demonstrar que
se é capaz de ser alguém por si mesmo. Toda nação ou pessoa dependente é
escrava.
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A alegria não implica em nunca sofrer ou passar
pelas dores da vida. A alegria deve ser um estado de espírito que jamais
devemos deixar de buscar. Alegria não tem a ver com felicidade. Felicidade
é outra coisa, outro conceito. A alegria está no estado da alma. As pessoas
alegres têm o dom de transmitir a paz e fazer os outros sorrirem. A alegria
é a saúde da alma.
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A realização de sonhos não implica realmente em
ter posses ou outros pré-requisitos. Basta limitar nossos sonhos ao que
somos verdadeiramente capazes de realizar e dar aos sonhos impossíveis o
nome de ‘devaneios’. Perdemos tempo demais sofrendo por devaneios quando poderíamos
estar dedicadamente ocupados em realizar sonhos possíveis.
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Tudo na vida é uma questão de valores. É a
priorização do tempo. Cada um sabe o que tem mais valor ou importância para
si e qual o tempo necessário deve ser dedicado a isso. Pode ser o último
ano da faculdade ou uma tese de doutorado, ou uma simples aula de yoga, um
passeio com o cachorro. Quem valoriza o ócio e doa tempo a ele costuma ter
idéias geniais.
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A vida em sociedade implica num controle dedicado
de nossos instintos. A civilização e a sociedade foram criadas justamente
para não haver manifestações instintivas. Pode-se ter vontade de tudo.
Sonhar é livre. Mas só se pode praticar aquilo que convém e será visto com
bons olhos. Um homem instintivo deve se apartar do meio social e viver
livre, mas só.
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A oportunidade perdida talvez seja a mais
amargurada das nossas desilusões, justamente porque ela não volta mais. Se
vier será outra oportunidade. É como a flexa lançada ou a palavra proferida.
Para não perdê-las dependemos de uma boa dose de otimismo, para
encontrá-las nas maiores dificuldades. Os pessimistas encontram o oposto.
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Toda pessoa que trabalha atrás de reconhecimento
acaba por se tornar frustrada. O reconhecimento vem da observação natural
das pessoas que olham e gostam ou não gostam. Mas só prospera aquilo que a
pessoa faz para seu próprio reconhecimento, dormir com a certeza de que fez
o melhor, com orgulho em expor àqueles que se interessam
em ver.
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Mulher ideal é uma companheira que está sempre
presente sem ser notada, que administra, contribui, desfruta e diverte, mas
não condiciona ou chantageia. Amar é a arte de ir-se encaixando. Ser feliz
é ser amado e ter a quem dar amor, ser fiel por carinho e não por
obrigação, é não adquirir um quebra-cabeça maior que aquele que você é
capaz de montar.
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A vida exige posturas que garantam nossa
sobrevivência e para que nos vejam como desejam. Mas nada há no mundo que
segure nossos desejos, ainda mais se forem instintivos e carnais. Em
encontros de horas somos capazes de ser felizes e completos, com direito a
ficar com saudade para a próxima vez. E a imagem continuará pura e santa.
Imagem é tudo.
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Não há valor relevante quando o presente que
damos a alguém é algo que nos foi solicitado. A magia do presente está no
fato de se fazer algo com o objetivo de ver o outro feliz. Se gostar de
pipoca, um saco de milho pode ser mais simpático e divertido que uma roupa
ou até uma jóia. Um presente tem que ser gratificante tanto para quem dá
quanto para quem recebe.
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É possível compreender a eternidade da alma
quando essa se propõe a produzir trabalhos que ultrapassam qualquer
barreira do tempo. É quando, ao vermos o trabalho de um finado artista o
sentimos perto, como que contando a história ou explicando o contexto. Ou o
artista é capaz de estar sempre presente em suas obras, ou não pôs sua alma
naquilo que produziu.
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A ira e a revolta em funções de coisas que não
podemos interferir diretamente, ou mudar o jeito de ser, é um disperdício e
os frutos são sempre nulos. É mais entrosado com a
vida aqueles que fazem da tolerância, da paciência e da mansidão seus
grandes objetivos na vida. Estar de bem com a vida é estar em compromisso
constante com a paz entre nossos assemelhados.
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É preciso tirar lições da angústia. A dor é
inevitável. A angústia se instala por falta de mecanismos com os quais
possamos mudar nossos caminhos. A angústia é o atestado da impotência,
quando queremos fazer valer uma força que não temos e o fracasso triunfa
sobre nós. A angústia é o momento único de revermos nossos valores para
errarmos menos.
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As virtudes humanas não são especiais pelo simples
fato de serem nobres, mas pelo fato dessas qualidades darem uma razão mais
digna ao ato de viver. O homem passará todos os dias da vida tendo que se
explicar porque agiu assim ou diferente. Assim, quanto mais a pessoa se
enche de virtudes, ou faz as pessoas pensarem que as tem,
menos explicações dará na vida.
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A saudade é um sentimento de vazio, uma sensação
de que estamos sós, ainda que o outro possa voltar. Mas quando não há volta,
seja por morte ou por não nos quererem mais, ama mais quem deixa o outro
ser feliz e guarda na saudade as alegrias que conseguiu viver. A saudade
deve ter por objetivo melhorar para que haja mais paz na volta, ou a mera
resignação sem mágoas.
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Só se é amigo por vontade própria. Amigo não é
parente, não tem laços sangüíneos, mas é capaz de transmitir tal confiança
que a eles contamos nossos segredos e nossos mistérios. O amigo não é o
primeiro a chegar nas festas, mas aquele que, sem ninguém notar, sai e vai
comprar mais bebida porque está acabando. A característica do grande amigo
é o zelo. Muito zelo.
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O lar é um ninho que vamos ajeitando dia a dia,
com carinho e o fazendo o mais confortável possível. Há detalhes que
incluímos em nossas vidas, que as tornaram melhores. Sabemos onde estão as
coisas e o que falta. Precisamos melhorar o lar de nossas almas. Precisamos
fazer de nossas vidas lugares gostosos de viver. Ter um bom lar não é
fácil, mas é muito bom.
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Quando a soberba se instala, finda as qualidades
de uma vida. A falta de humildade nos coloca num patamar de tamanho vazio
que não conseguimos ver nada e, talvez por isso, alguns se declarem maiores
que outros. A soberba é um estado de estupidez que leva as menores pessoas
a se enxergarem como magnânimas, quando são meras produtoras de
mesquinharias.
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A vingança pode ter seus sabores para os que
dela gostam, mas é um consumo grotesco de energia para algo tão infeliz.
Muitas vezes, quando nos sentimos vingados, o outro nem lembra mais o que
aconteceu e sofre de graça. Se não há consciência que se está sofrendo uma
vingança o gesto é nulo. Deixa de ser vingança e se torna uma grosseria
banal e desnecessária.
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A injustiça se dá de todas as formas, cores e
credos. Se é injusto quando se condena antes do
crime, quando se usa de dissimulação para atingir quem diz que se ama,
quando para se ter uma ilusória felicidade se castra a felicidade do outro.
A injustiça é a forma preferida de se buscar justiça porca que por
definição não é justiça, mas sim vingança inútil. E fútil.
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Tentar entender a vida e o ser humano ao mesmo
tempo é um desafio. Passa a impressão que um não faz parte do outro. A
natureza se desenrola por si só ao passo que os humanos mudam a natureza e
se enrolam cada vez mais. Não se consideram animais, se propõem racionais,
mas agem com irracionalidade em relação a coisas e fatos. Não dá para
entender.
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Há tantas pessoas sozinhas e abandonadas cercadas
de “amigos” por todos os lados que ser verdadeiramente só chega a ser uma
benção. Há companheiros incríveis para se ter uma vida decente e feliz. A
ocupação, o brilho do sol, os pingos da chuva, o lufar dos ventos são
companheiros maravilhosos. Mas a consciência limpa ainda é a melhor das
companhias.
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As pessoas deveriam ter mais respeito à
inteligência de Deus e não ficar explicando a ele suas dores e sofrimentos
e nem as agruras que está passando. Um ser onipresente, oniciente e onipotente
sabe tudo e tudo faz. Se quiser. Se não faz é porque não quer, e não será
implorando que ele lhe atenderá. Fique calado. Deus não precisa de
instruções. Entendeu?
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|
A omissão é uma coisa grave porque quem se omite
acha que está cometendo um mal menor, banal, quando pode estar deixando de
resolver, com um gesto simples, problemas cruciais. Os omissos estão
proibidos moralmente de reclamar ou até mesmo opinar. No entanto são os
primeiros a subir nos banquinhos para atacar e repudiar quem participa.
Omissos são canalhas.
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A ilusão é o tesão do povo. Mágica faz sucesso
por isso. O fato de se ter certeza que tudo não passa de uma sucessão de
truques não abala em nada a delícia de ver o fenômeno acontecer bem sob
nossos olhos e nossa incapacidade em desvendar tais truques fascina mais
ainda. A vida é um palco de ilusões, mas fascina porque não perdemos tempo
com realidades bobas.
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Dos bons sinais do enamoramento talvez a afeição
seja o mais nobre de todos. Parece ser desprovida de sentimentos menores,
olha-se para a pessoa sempre com um carinho e uma reverência que é mesmo
terna e graciosa. Daí se instala o que se dá o nome de amor e toda nobreza
se esvai. Instala-se a posse, o ciúme, a desconfiança e o afeto definha e
morre.
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A vantagem de se afeiçoar às virtudes é que
sempre estamos colecionando comportamentos que farão de nossas vidas algo
mais interessante. Não que os vícios não tenham seus atrativos e suas
delícias. A questão é que, lá na ponta, não se consegue grandes obras para
explicar o que fizemos da vida. Viver em vão deve ser uma experiência
desagradável.
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Ontem foi o passado de hoje e hoje é o passado
de amanhã. Se prestarmos atenção no ontem para não repetirmos os erros e capricharmos
hoje para ter um amanhã melhor a coisa nem fica
tão difícil. A vida só tem como opção seguir em frente. Ou se vê o
passado pelo retrovisor e o futuro pelo pára-brisa, ou a viagem não rende.
Muito menos diverte. É uma chatice.
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Devemos mesmo nos agarrar com todas as nossas
forças na máxima de que a esperança é realmente a última que morre. Pessoas
voltam a estudar depois dos 70 anos, se encontram, se casam, são até
felizes, e tudo depois de já terem perdido as esperanças todas. Na última hora
a ciência inventa um remédio e nos obriga a viver saudáveis por mais alguns
anos. Agradecemos.
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É da prática da vida sermos
simpáticos sempre que falamos o que o outro quer ouvir. E aí temos que escolher
se o que importa é ser simpático ou falar o que se pensa com liberdade. Nem
sempre o outro quer ouvir, mas nem sempre podemos nos calar. A omissão de
opinião é um mal grave. Passa a impressão de que não é através da troca de
idéias que o mundo progride. Mas é, sim.
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Crianças só têm um defeito grave. Elas querem
crescer. No mais são puras, falam o que pensam, não se envergonham, raras
são tímidas, brincam com qualquer coisa, acham graça em tudo, qualquer
passeio é bom, todos os palhaços são iguais, qualquer mágica fascina,
dormem em paz. Depois
que conseguem o que querem, crescer, viram um
bando de adultos falsos e chatos.
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Quando nos conscientizamos de que não somos
responsáveis por nossa estada na Terra, que nossa vida é fruto de acasos e
acontecimentos caóticos, ela não se torna nem mais fácil nem mais leve.
Viver é difícil, e não nos resta muita opção a não ser feliz com o que
conseguimos ter. A infelicidade costuma brotar quando vamos resolver
problemas que não são nossos.
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Mão-de-obra é uma mercadoria como qualquer
outra. Quanto mais tem mais barata custa. Um professor qualquer ganha pouco
porque tem demais, e um professor bom ganha bem porque há muito poucos. A
educação de um país se mede pelo salário de seus professores. Quando não se
aceita qualquer professor, os bons aparecem e o salário sobe. Não é
simples?
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Poucas coisas são tão admiráveis num ser humano
como a certeza de que ele cumpre aquilo que fala. Ninguém é obrigado e
falar nada, muito menos prometer. Mas as pessoas que prometem sem o menor
compromisso ou vontade de cumprir agem como meros auto-falantes.
Jamais podemos culpar uma caixa acústica porque o cantor desafinou.
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Os netos devem ser uma espécie de boletim que
gradua nossa competência em criar filhos e construir cidadãos. Só
observando como eles são formados somos capazes de ver se ali foi aplicado
algo do que ensinamos aos nossos. Netos felizes e bem formados implicam em
pais que trouxeram do berço a base que melhorarão nossa descendência. Isso
é tudo de bom.
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Quando a ética, a decência e demais valores
morais deixam de ser uma questão de postura e passa a ser uma atitude
cotidiana, a sociedade evolui para patamares bastante elevados. Dispensa-se
com prazer os que simulam virtudes que não têm, ainda que finjam, para aqueles que, mesmo sem ninguém notar, não
deixam de socorrer seus semelhantes. É um fato.
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Todo governante precisa sempre passar uma imagem
de otimismo e segurança, e a imprensa se empenhar em duvidar e tentar
provar o contrário. Dos números entre o bem-estar governista proclamado e
da tragédia que a imprensa tenta pintar tiramos a média da realidade. É tão
estúpido quem só ouve o governo quanto quem só ouve a mídia.
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O choro é um espasmo que tem a função de
despregar as tristezas que estamos passando e deixá-las correr ralo abaixo.
O choro que não lava a alma não é nobre. O findar do choro precisa ser o
alívio e a paz e não a angústia e a dor. O choro é algo a se valorizar. Não
se chora à toa. Não se chora por nada. Não se chora pelo impossível. Choro
fútil não constrói.
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As virtudes não sobresaem na medida em que
apontamos os supostos vícios dos outros. Para que venham à tona e todos
possam constatar é necessário praticá-las com determinação e sinceridade.
Em geral pessoas que pretendem mostrar excesso de virtudes são desesperadas
em virtude não tê-las e só encontram refúgio conspurcando a imagem alheia.
Dá nojo.
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O que seria de um escritor sem leitores, um
compositor sem ouvintes, um ator sem platéia? O que seria de um leitor sem
escritor, ouvintes sem compositores ou platéia sem ator? Essas pessoas
interagem e se complementam. Cada um na sua. Por isso é importante citar a
autoria para que se dê valor aos que têm. Ou um dia não haverá o que ler, o
que ouvir ou assistir.
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Tudo na vida é interesse
e intenção. Se não olharmos com atenção para essas coisas nunca teremos
certeza sobre as ações que os demais tomam, ou até que nós mesmos tomamos.
Há interesse em tudo.
Nem que seja só o de ajudar e cooperar. E há intenção em
tudo o que fazemos. As intenções, por vezes, chegam a ser piores que os
interesses. Há que observar.
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É preciso exorcisar os fantasmas de nossas vidas
para que possamos dormir em
paz. Nossos fantasmas são nossas vaidades, orgulho,
preguiça, medo, coisas que nos assombram pela vida afora sem trégua. Quando
vemos estamos atormentados por causa de um sapato, um semáforo, um
desaforo, etc, quando podíamos ignorar tudo e sermos muito mais felizes.
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Somos todos iguais em nossas intimidades. Todos
agem de forma quase idêntica. Em tudo. Para compensar e tentar disfarçar fazemos com que o nosso comportamento público seja um
tanto diferenciado. Queremos passar a impressão que aqueles momentos
íntimos não exitem, e quando há é para poucos. Enfim, gelo derrete e a água
se impõe. Líquida.
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As pessoas que sofrem muitas vezes não percebem
que o que lhes falta é ir em busca da paz. A paz não está no supermercado.
A paz é um crochê que vamos tramando com perdão, carinho, compreensão,
companheirismo, essas coisas. A paz só existe quando um resolve estender a
mão antes do outro, propondo serenidade e fraternidade. Pacíficas.
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Poucas coisas incomodam tanto quanto alguém
decidir, mesmo que cheio de amor, o que é bom para nossas vidas. Nos dão coisas que não nos satisfazem e se matam de
frustração pelo fracasso. Quando uma pessoa precisa de um simples limão
para temperar uma salada, um caminhão de melancias não serve para nada. Um
salzinho e um óleo de oliva contribuem.
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A vida é o que ela é e não se importa se há
dores aqui e ali. Aliás, porque dói em todos indistintamente. Não se foge
da vida com anestésicos. Eles deixam as mesmas cicatrizes e traumas. As
dores existem para ensinar, e na medida que
aprendemos a lidar com elas nós crescemos e em alguns casos até conseguimos
evitar a necessidade de muletas como a fé.
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O Direito é um conjunto de regras que rege uma
sociedade. Mas uma sociedade é composta de pessoas com poderes diferentes,
e poderes diferentes implica em regalias diferentes. O que fascina as
pessoas, desde o juiz ao aprendiz de Direito, ainda é a pessoa do réu e não
o delito praticado. O Direito é coisa supérflua que só é utilizado para os
comuns. Os outros são bons.
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Existem na vida dois tipos de pessoas. Nós e “os
outros”. Nós nos entendemos e sabemos o que fazemos e o que queremos. Mas
“os outros” são pessoas complicadas demais, que não se explicam, que não
têm boas idéias, e nem soluções para quaisquer problemas. Precisam de nós
para tudo. Só nós sabemos o quanto “os outros” atormentam nossas lindas
vidas.
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Elegem um homem mandatário da nação. Dão a ele
um batalhão de serviçais. Instalam-no em palácios. Declaram-no
chefe maior das forças armadas. A sua disposição há um séquito de ministros
e técnicos. Não falta carro, barco ou avião. Quando ele fala todos se
calam. Não há lei que vigore sem sua promulgação. Depois disso declaram-no
autoritário. Por que será?
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O humano é um animal muito frágil, medroso,
inseguro. Ao contrário dos demais animais que se defendem e lutam pelo que
precisam para sobreviver, o humano se enche de condições, não aceita o fim
da vida, se acha o máximo, se finge de frágil. A tática humana, no mais das
vezes, é esperar que aconteça algo, qualquer coisa, para obter suas
vantagens pessoais.
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A civilização e a sociedade formam um sistema
complexo. Há que se domesticar e adestrar humanos para que convivam em
harmonia, e ao mesmo tempo construir presídios e sistema de julgamento para
afastar os que discordarem das regras impostas. A evolução de uma sociedade
se mede por seu grau de padronização. Quanto mais cara de McDonald’s tiver
melhor é.
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Homens e mulheres, aparentemente, sugerem serem
duas peças que deveriam se encaixar e trabalhar em harmonia na evolução da
espécie, da civilização, da sociedade, da família e da cidadania. Não há
diferença significativa que justifique tantos desencontros e desconfortos.
A semente do desacordo e da desarmonia é
plantada bem onde diziam que era o amor.
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A vida nos dá um limão e devemos fazer dele uma limonada.
Mas a água está gelada? Foi bem filtrada? Tem açúcar? Que tamanho é o
limão? Em que jarra devo colocar? É para dividir
com os outros ou é para beber tudo sozinho? Enquanto nos enchemos de
perguntas e condições, o limão vai ficando passado e a cada dia a limonada
vai ficando pior. Em alguns casos, intragável.
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O ruim da tristeza que dá na gente é que, mesmo
sabendo que há inúmeras pessoas que sofrem muito mais, se diminuir a dor
delas não altera a nossa. A angústia, solidão, o choro que rompe, tudo isso
causa amargura sem explicação. É preciso de uma dose grande de paciência
para suportar nossos dissabores, mesmo sem esquecer dos que sofrem mais.
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Nada é inócuo na Natureza se não houver
equilíbrio. Até água demais desequilibra. O saco plástico foi uma das
maiores invenções do homem mas, por falta de reciclagem e uso desmensurado,
hoje é uma dos maiores males da terra. Há plástico até nas profundezas do
Oceano Pacífico. Melhore o planeta. Tire radicalmente os sacos plásticos da
sua vida.
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É inexplicável ser dotado de razão e estruturar
toda a vida na irracionalidade. Acreditam em esoterismos de todas as
formas, velas, preces, terços, novenas, mandingas, macumba, reencarnação, vários
corpos, outras dimensões, florais, cristais, cromologia, meditação entre
outras coisas, como se aquele monte de gente no cemitério não existisse.
Acorda, humano!
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Mesmo o mais rico homem do mundo não será
julgado pelo dinheiro que conseguiu juntar, mas pelas idéias e conceitos
que deixou para o mundo. É preciso pensar em que vamos ser e não que
pretendemos ter. Ser tem utilidade e grandeza, ter é vaidade e pretensão.
Ser útil e benéfico para o mundo vale mais que ir para o céu. Ser útil é a
única virtude que salva.
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Na filosofia militar de que “se queres a paz,
prepara-te para a guerra” está embutido um contra senso. É dizer às tropas
para aprenderem o que não vão praticar, bem como serão treinados para
dizimar os que não pretendem matar. Muito dinheiro, muita gente, muito
tudo, na espera do que não é para vir. É chifre demais para tourada de
menos. Pior que é o correto.
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Pense na vida como uma doença venérea que não tem
cura e demora morrer. Não busque fazer da sua vida algo especial ou
importante, porque as frustrações são enormes. A vida é de tal banalidade e
desimportância que fecundam, abortam, abandonam, criam, destratam,
deseducam, prendem, sacralizam, santificam, desprezam, nem notam, não faz
falta.
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Como explicar ao extra-terrestre
que é impossível viver sem celular, que internet discada não serve nem para
e-mail, que para fazer 1 telefonema se compra um cartão para 20 ligações,
que nossas possantes bandas largas de 150 kbps são humilhadas hoje por
ofertas de 20 Mbps. Como explicar que se acabar a
energia elétrica nós não sabemos o que fazer da vida.
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O que vale na vida são as coisas que nos são
importantes. Não prestamos atenção no que é importante para o outro. Não é
da nossa conta. Nós sabemos que nossa preocupação é real. A do outro é o
que ele diz. Pode ser ou não. Temos “nós” demais para pensar. Não sobra
tempo para “eles”. O consolo é que “eles” pensam como “nós”.
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O maior
problema em se perder a dignidade é que, para recuperá-la, há que agir com
a determinação e a dolorosa angústia de quem está conseguindo safar-se de
um afogamento. A dignidade assemelha-se à inocência. Todos são dignos e
justos, até prova em contrário. Dignidade e inocência são como um
hímen.
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A
vida sem ideologia é vazia e sem forma. É a ideologia que dirá “haja luz” e
haverá luz. Caso contrário estaremos sempre
dirigindo nossas vidas para os caminhos que traçaram para nós. Não é porque
fazemos isso com os outros que devemos aceitar para nós mesmos. Quem não
tem ideal não é notado, não transforma, não existe.
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Não
há virtude mais bela que a solidariedade, porque ela não busca qualquer
outra coisa que não seja o resgate da dignidade e a recuperação da
dificuldade do próximo. A pessoa que olha, mas insiste em achar que o
problema não é seu, pode um dia estar desesperado e o outro pode pensar a
mesma coisa. Ajudar é muito bom.
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De
um modo geral os chatos não se consideram assim. Pelo contrário, apenas
vêem a vida de uma outra forma. Mais próxima, mais explicada, mais
dramática, coberta de detalhes que eles julgam importantíssimos. A única
forma de se livrar de um chato é, a cada manifestação, dizer claramente:
“Você está coberto de razão”.
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A
solidariedade é um sentimento que proporciona ao homem a façanha de se
colocar na situação do outro e ver que ele poderia estar lá na mesma
situação. Ser solidário é estar ligado, preocupado, acompanhar para que
tudo se resolva em benefício da tragédia do outro. Não há o que pague saber
que fazemos parte de um grupo de pessoas boas e corretas.
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Deuses
não são sagrados. Mas a vida é. São sagrados a
liberdade, a escolha, o carinho, a solidariedade, a compaixão, a gratidão,
o reconhecimento, o amor ao próximo. Sagrada é nossa descendência. Sagrada
é a pátria em que nascemos, crescemos e morremos. Não há como ver a vida de
forma bela se a sacralizarmos errado.
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Não
é por falta de instrução e boa vontade que as pessoas optam pelo
descaminho. O homem vive de imitar. Quando vê que alguns se dão bem, deduz
que terá a mesma sorte. Quem não vê no bom caráter sua opção de vida, perde
também toda a noção de dignidade e justiça, de bondade e solidariedade. É o
caos.
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Na
vida tudo é um processo. Se deixarmos os atuais processos de Saúde,
Educação e Segurança Pública como estão, e paralelamente criarmos novos, com
novos profissionais, novas instalações, novos métodos, tudo novo, em breve
estaremos extinguindo o antigo processo e desfrutando do novo. Só falta
atitude.
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A
perseverança é uma das mais brilhantes virtudes humanas. Perseverar não é
teimar. É não desistir. É retomar e voltar a tentar. A melhor aplicação da
perseverança está em nossos sonhos mais pessoais. Nisso devemos aplicar
nosso talento e criatividade, da primeira faculdade à nossa remota
aposentadoria.
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A
caridade é um gesto de amor que contagia pessoas sensíveis ao sofrimento do
outro e suas dificuldades. O caridoso não é aquele que, ao ser pedido, dá o
que lhe sobra. A caridade implica em se antecipar, se dispor, suprir a
necessidade, não aparecer e nunca cobrar. Caridade não é favor. É amor.
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De
fato a natureza não nos pertence. Nós a recebemos do passado para usarmos
com prudência e cuidado, para podermos entregar em condições melhores aos
que virão depois de nós. Nós somos fiéis depositários do habitat em que
vivemos e devemos devolvê-lo melhor e muito mais limpo do que o recebemos.
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O
que faz um governante, no meio do segundo mandato, em meio a uma crise
financeira mundial grave, com sério risco de haver desaceleração da
economia e o conseqüente desemprego, bater seu próprio
recorde de popularidade com mais de 80% entre os mais pobres? Só o
reconhecimento é capaz de coisas assim.
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A
felicidade pode ser conseguida com artimanhas. Basta não achar que ela
acontece por si só. A felicidade é uma conquista que se solidifica e toma
forma na medida em que nos contentamos com o que conquistamos com
naturalidade. Só é infeliz quem quer mais que consegue ter ou do que a vida
pode dar.
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Para
certas coisas não há muito o que adjetivar. O ciúme, por exemplo, é uma doença
grave de baixa auto-estima e jamais pode ser usado como prova de amor. A
maior prova de amor que uma pessoa pode dar é deixar o outro ir embora
quando bem entender. Amor que escraviza martiriza a relação. É o fim.
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Até
para improvisar é preciso técnica e organização. O solo é livre, mas todo o
mais se mantém coeso, afinado e no tempo certo. Improvisar o amor é
inverter a lógica. Mantém-se a melodia, porém órfã de ritmo, harmonia e
paz. O improviso só se justifica na necessidade e na incompetência. No mais
é tolo.
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O
adultério é a aplicação dos princípios democráticos ao amor. O adultério é
a curiosidade do amor e dos prazeres ilícitos. No adultério há pelo menos
três pessoas que se enganam. É ele que liga pessoas sem uma saber. O
adultério é justificável: a alma necessita de poucas coisas. Já o corpo
precisa de muitas.
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A
tese nem é original, é uma piada de Groucho Marx, mas de fato não
deveríamos freqüentar clubes que nos aceitassem como sócios. Eles podem não
saber, mas nós sabemos. Devemos perseguir obstinadamente conseguir
freqüentar os clubes que jamais nos aceitarão como seus iguais. Aí é bom.
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Não
há país no mundo, seja rico ou pobre, bom ou ruim, que não tenha sido
construído por seu povo. Ninguém nasce rico, sábio e desenvolvido. É um
processo. O povo não tem o governo que merece. Até mereceria mais. Mas,
inevitavelmente, terá sempre o país que conseguiu construir. Ótimo, bom,
ruim ou péssimo.
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O
mais pobre dos homens é o que trabalha por dinheiro. O dinheiro é
incompatível com certas coisas. É usado por prostitutas, por ele cometem-se
absurdos impensáveis. O dinheiro, como a democracia, só é ainda a melhor
forma de se pagar trabalho por não terem inventado nada melhor. Não dá para
nos alimentar apenas com nossas emoções.
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Confúcio
disse, Millôr Fernandes endossou, John F. Kenneddy
aproveitou, e é bom continuar porque não há razão para parar de repetir:
“Se você agir sempre com dignidade pode não modificar o mundo, mas uma coisa
é certa: sempre haverá na Terra um canalha a menos”. Mas o que pensam disso
os canalhas? Dignidade... Quem? Eu? É...
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O
diálogo é a única ferramenta que constrói países, e o respeito às idéias
contrárias é o que proporciona equilíbrio. Grandes países são formados por
pessoas que, mesmo pensando o contrário, defendem com a vida o direito do
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