Zé Caparica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Telefone fixo

 

Zé Caparica

 

Está certo que não será por esses dias, meses ou anos, mas estou começando a desconfiar que os telefones fixos vão acabar. Inventaram o telefone sem fio que era pra gente não ficar amarrado na parede, mas com o advento do celular, onde cada cidadão, pobre ou rico, tem o seu, um telefone fixo fica com cara de escultura dedicada aos primórdios da tecnologia. As comunicações estrapolaram os fios e cabos, e hoje dispõem dos céus do mundo para se direcionar de um para outro aparelhinho, ou seja lá o que for. Fio só para eletricidade. E se um dia inventarem eletricidade sem fio não se espantem. Nós somos capazes de criar prodígios.

Mas o telefone fixo é mesmo uma estupidez e, como eu me incluo nas coisas, eu tenho um. Da GVT, que também é sem fio. Telefone fixo sem fio, via antena. Ninguém liga, eu pouco ligo, mas não tem escapatória. Dia 10 cai a fatura na minha conta. Ninguém usou, o pouco que usa é caro, interurbanos e celulares, acrescentam a tal da “assinatura” que é um roubo estapafúrdio, porque não faz sentido eu pagar apenas para estar ligado no computador da GVT. Ninguém faz nada. Tudo é computadorizado e quase tudo automático. Os humanos só entram na hora de faturar, eventuais reparos, e reprogramar o tal do “sistema” cada vez que ele emburra. O governo estadual me leva 29% de ICMS e eu fico com cara de imbecil.

A primeira vez que eu vi um celular foi uma situação muito chique. Logo que cheguei a Toronto, em 1987, fomos indicados a conhecer um médico, telefonamos, nos apresentamos, ele ofereceu um almoço e se propôs a nos buscar. Quando vi era um puta Jaguar liiindo, chiquérrimo, e lá tinha um “trambolho” enorme instalado perto do painel. Era um telefone fixo dentro do carro. Tinha até fio. Pouco tempo depois meu cunhado resolveu colocar no carro dele também e aí eu vi o preço da brincadeira àquela época: QUATRO MIL DÓLARES!

Ainda no Canadá, também entre milionários, vi o primeiro celular fora de um carro. Era um tijolo branco com uma antena preta que tinha uns 30 cm de altura. Nada podia ser tão ridículo se comparado a hoje, mas naquela época as pessoas até paravam para ver o playboy exibindo o seu “high-tech” encostado em sua Ferrari. Coisa linda! Devia ter pago uns dez mil dólares. No celular, é claro. A Ferrari custa mais de milhão. E assim a coisa foi evoluindo.

Depois da privatização das teles e a facilidade de se conseguir um telefone fixo, todo mundo comprou, facilitou a comunicação de todos, logo a internet começou a rodar pelas linhas telefônicas, etc. Mas também o tempo passa rápido, e hoje tenho banda larga sem fio via rádio e de boa qualidade, tem o novo 3G para celulares de rico e notebooks, e ainda via cabo, mas não deve ser por muito tempo, a NET oferece um pacote com televisão por assinatura + telefone fixo (parece fixação, né?) + internet de altíssima velocidade. É o melhor custo benefício. A TVA oferece isso também, mas como disse meu amigo Mario Prata (ele ainda não sabe que eu sou amigo dele), está caro e o negócio bom é com a NET mesmo.

Dá para notar que está todo mundo devolvendo telefones fixos pelas ofertas que a BrasilTelecon vem fazendo. Tá sobrando linhas aos milhões. Mas é na base do cadeado. Te dão um telefone com 500 minutos para falar na cidade e mais uma banda larga de 1.6 Ghz, por “apenas” R$ 100,00 (R$ 99,90 para me encherem o saco). Só que tem que ser escravo por 2 anos, e a BrasilTelecon ainda é do Daniel Dantas. Melhor esperar fechar o negócio com a Oi. Todas as pessoas decentes deveriam boicotar todos os negócios de Daniel Dantas. Todos.

Com o telefone pré-pago ninguém se aperta. Se tem o dinheiro na mão compra um crédito e, se for pouco fala pouco. Se for mais esperto não liga mas dá o número para todos ligarem. É assim que os pobres se viram. Os pobres usam celulares muito mais que os ricos porque precisam ficar na rua para aproveitar as oportunidades da vida, e não podem ficar esperando a trambolho amarrado na parede tocar. Todas as casas e carros à venda oferecem telefones celulares para acertar o negócio. E, obviamente, ainda é caro mas já foi bem mais. Com concorrência logo estaremos falando em celular por tarifas bem mais módicas.

Eu gosto de fazer propaganda de coisas boas. A Pula-Pula da BrasilTelecon é muito legal e fica bem mais barato. Esse mês coloquei R$ 20 de crédito e ganhei R$ 30 de bônus. Fiquei com 50ão. E se ligo de BrT para BrT a ligação fica baratinha. TIM e VIVO só para ricos mesmo. Marcas de status, mas os pobres gostam mesmo de um BrT. Funciona igualzinho aos outros e se paga metade. Nada mal. E a Claro... sabe que não sei?

Hoje, inspirado no meu amigo Mario Prata, que apenas ainda não sabe que é meu amigo até que alguém conte a ele, mandei cancelar o telefone fixo. Aí me pediram 10 dias e vão dar um jeito de colocar telefone e internet das boas por R$ 55 por mês. É só dizer a palavra mágica “então, cancela” que eles puxam a tabela de baixo e os preços despencam.

Telefonia no Brasil está cara demais e as agências que foram criadas, dentro de uma visão ultra moderna de serem agências do Estado, sem interferência do governo, para regular e doutrinar o mercado a favor do consumidor, não colou. Virou que o PT indevidamente colocou gente sua lá, na Anatel manda a Telefônica, na Anac mandam a TAM e a GOL, no Banco Central mandam o Bradesco, Itaú e ou outros maiores, na ANP manda e desmanda a Petrobrás, na Aneel mandam as distribuidoras de energia elétrica, e assim rola o cartel. E o povo paga. Claro.

Fora as empresas, que logo se livrarão do telefone fixo por tecnologias mais modernas, essa coisa obsoleta vai acabar. Uma bateria de celular que em 1997 durava 3 a 4 horas, hoje dura uma semana. Os tamanhos foram reduzidos vertiginosamente, os “tijolos” viraram “caixinhas de fósforo”, os preços dos aparelhinhos são barato demais. Se for para ser só telefone e poucas coisas mais não se gasta mais que R$ 50. Compare com os US$ 4.000 que citei acima.

Resumão. Cada vez que eu olho para o meu telefone fixo eu me sinto um imbecil. E as teles me acham um cliente valoroso. Faz sentido. Pra elas. Devolva seu telefone fixo e fique só com o celular. Não fique pendurado fofocando no telefone. Tem MSN para isso. Telefone, fixo ou celular, é para ligações de no máximo 1 minuto. Precisamos mudar os nossos hábitos se quisermos deixar de ser explorados pelas companhias de telecomunicações. Fora a Telefônica, as outras são mais decentes que os bancos, mas mesmo assim é muito protecionismo e conchavo contra um povo que, desunido, se torna refém dos abusos financeiros que sofrem.

Não quero mais nada fixo, nunca mais assino contrato de fidelidade, compro o que quero e cancelo quando quero. Se querem, bem, se não querem, vão caçar clientes por aí.

Viu como eu sou nervoso? Hahahaha...

28.10.2008

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