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Mãos ao alto!
Zé Caparica
Todo banqueiro é
ladrão. Não há exceção. Os banqueiros vivem de explorar as necessidades dos
outros, e usam de todas as artimanhas possíveis para arrancar seu dinheiro
de uma forma tão escandalosa e cafajeste que dá nojo, asco, repugnância. Itaú,
Bradesco, Unibanco, Real (e todos os outros sem exceção), são todas
instituições fortes à base de saquear principalmente os pobres. Aliás,
sejamos bastante justos, exclusivamente os pobres, porque os ricos sabem se
defender. Quem tem muito dinheiro não paga tarifas. Quem tem pouco perde
metade do pouco que tem em tarifas. Que cambada de gente filhos de mulher
vadia, né?
Agora descobri que
bancos sociais, como a Caixa Econômica Federal, entrou na farra do “mãos ao
alto”. Descobri que o governo federal saqueia os pobres com contas pequenas
nos bancos oficiais com a mesma patifaria que fazem os outros. Nivelou por
baixo. Se encontraram no puteiro. Se a idéia é só do Henrique Meirelles, presidente
do Banco Central, é só uma fiadaputa
a mais. É do ramo e insensível como todos os demais. Mas se essa decisão
partiu do presidente Lula, me desculpem, mas pela primeira vez, desde 2002,
terei que incluir o Luís Inácio no saco dos que alisam com uma mão e chutam
o saco com os dois pés.
É assim. Você tem
uma poupança na CAIXA porque é mais seguro, ajuda o país porque o banco é
da população, etc. Todos deviam ter contas nos bancos governamentais e
fazer com que os nossos bancos crescessem mais ainda. Bradesco e os demais bancos
cagam e andam para o Brasil. Não é conversa de pobre, não. Eles não estão
nem aí pra paçoca mesmo. Se o Brasil precisar de R$ 10 eles não dão. Não
colaboram. Só tiram, extorquem, roubam. O único item de defesa, e
lamentavelmente basta, é que o fazem dentro das regras do Banco Central. E
quem manda no Banco Central? Resposta: Bradesco, Itaú, Unibanco, Real, e o
resto da quadrilha.
Mas o Banco do
Brasil e a Caixa Econômica Federal foram criados para isso. Para proteger e
garantir a população da usura. São bancos onde não há risco de falência ou
quebradeiras, banqueiros que fogem do país, etc. Banqueiro não presta. São úteis,
mas não valem nada. Agiotas engravatados com alvará do Banco Central. É o
que eles são. Mas agora o governo, via CEF, entrou na lista dos crápulas.
Vejam se faz
sentido. Eu tenho uma conta poupança que me paga 0,5% de juros ao mês e
mais a variação da taxa Selic. Isso é pago sobre a média dos saldos da
poupança. Ou seja, centavos. Esse mês ganhei R$ 0,04 de juros e remuneração
básica. Meus direitos? Vou-lhes contar: posso fazer dois saques por mês. Se
fizer mais que dois tenho que pagar R$ 1,30 cada um, mesmo nos caixas eletrônicos
da própria CAIXA. Entenderam a tungada? Entenderam o tamanho da
DESONESTIDADE? Então eu explico.
Se eu for lá tirar
R$ 20,00 para comer um sanduba, a conta sai R$ 21,30. Isso significa
simplesmente 6,5% do valor sacado. E se eu estiver mais na penúria ainda, e
resolver tirar só R$ 10,00 para comprar uns 10 miojos? Aí, queriiiido, a
taxa será de R$ 13%. Lógica de português. Quanto menos dinheiro eu deixar
no banco menos tarifas eu pago. Acho que bancos não querem mais dinheiro.
Será? Claro que não. É que como a base dos pobres é mais ampla, e nem todos
os pobres notam essas coisas, e mesmo os que notam normalmente se conformam
com o argumento tosco de que “a vida é assim mesmo”, então simplesmente
fazem e nós é que... é.
Então, pela lógica
do conclave português, minhas fontes depositam dinheiro em minha conta e eu
terei que sacar tudo e deixar o dinheiro em casa. É pouco mesmo. As contas
são tantas. Faço meus dois saques de direito, um extrato por mês e mais
nada. AFINAL, TODOS SABEM BEM DISSO PORQUE APRENDERAM NA MATERNIDADE, BANCO
FOI FEITO PARA NÃO USAR. Cobrar R$ 1,30 se eu é que opero o caixa eletrônico?
De onde eles tiraram que isso é honesto? Claro que não é. Nao há banco
honesto.
Mas de onde eles
tiraram que os pobres podem pagar isso? Duas tarifas dessas e se compra um
litro de óleo. Mais duas e se compra arroz. Se a pessoa estiver na penúria
e for meio espertinha, comprando uma batata, um tomate, uma cebola e um
miojo faz um almoço por menos de R$ 1,30. É o preço que a CAIXA me cobra
para deixar eu mesmo apertar os botõezinhos do caixa eletrônico. Não é um
absurdo?
Já se o magnata
encostar, além de passá-lo na frente e deixar os pobres esperando, os
gerentes os isentam de todas as taxas e ainda aumentam os juros que pagarão
ao dinheiro depositado. Têm que fazer porque são como as putas. Se uma não
fizer a outra faz. Só que a soma dos pequenos depósitos ultrapassa em muito
o dinheiro dos magnatas, que quando são magnatas de verdade, como Silvio Santos,
Votorantim, etc, têm seus próprios bancos. Milhões e mais milhões de
pequenas contas na Caixa Econômica Federal, CEF ou CAIXA, (fora o Banco do
Brasil) que juntas formam um mar de dinheiro e a R$ 1,30 cada saque em
caixa eletrônico, ou extrato a mais, o governo dilapida o dinheiro do
pobre. Indecentes.
Diga-me com quem andas,
com quem lidas, com quem trabalhas, e lhe direi o quanto isso vai te custar
no final do mês. A vida é assim, as biscatinhas da vida são assim, e os
banqueiros são assim também. Se há tão pouco ricos, porque fazem tanta
propaganda pra pobres assistirem? Só pra roubar R$ 1,30 em cada saque?
Ah, quer saber? Responsabilidade
é responsabilidade. Quem regula e autoriza os bancos a funcionarem e
cobrarem tarifas é o Banco Central através de seu
presidente Henrique
Meirelles. Quem manda no Henrique Meirelles é o ministro da fazenda Güido Mantega,
e quem manda no ministro é o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Então,
Lula, parabéns pelo Bolsa Família e demais grandezas honrosas do seu
governo, reconhecidas pelo mundo inteiro, inclusive nessa grave crise
financeira mundial onde o Brasil até que vai bem, comparado a outros. Mas
se tu és o presidente dos pobres e a CEF e o BB são do povo brasileiro, ou
tu manda parar de cobrar isso da gente, ou eu terei que trocar de óculos e,
mesmo sem querer, enxergar que a CAIXA é 10 para facilitar a vida do pobre,
justamente porque é imoral e usurária na hora de cobrar tarifa do mesmo
pobre.
Mania de rico é
achar que R$ 1,30 não é nada. Podem odiar os pobres. A recíproca é dobrada.
27.10.2008
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