Zé Caparica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coisinha estéril

 

Zé Caparica

 

“Filhos, melhor não tê-los. Mas, se não tê-los, como sabê-los?”. Essa frase é de Vinícius de Moraes, que gostava de brincar que não gostava de criança. Dizia que achava Herodes natural. Para quem não gosta de criança, casar 13 vezes é uma incongruência. Mas essa conversa mole pra boi dormir está merecendo um debate com um pouco mais de luz na grosseira hipocrisia de algumas mulheres que dizem, acredite quem quiser, que OPTARAM por não ser mãe. Como mentem.

Mentem porque muitas vezes, mas não todas, o problema é apenas de infertilidade da mulher ou do marido. E infertilidade é uma coisa que a ciência já lida com eficiência. Mais que isso, se se tratasse de mulheres decentes, cuidariam de adotar uma criança que precisa de um bom lar e uma boa educação, exercendo assim sua função de mãe e não de servideira de homem. E se o problema não for de infertilidade mentem de forma mais descarada, porque querem convencer os que se convencem de qualquer coisa, que o Brasil não é lugar para ter filhos, que filhos só depois dos 40, que filho isso, aquilo e as demais desculpas, uma mais esfarrapada que a outra. A Natureza, a biologia humana, como a de qualquer animal, pede a procriação. Todos nós nascemos para procriar e deixar frutos. O resto é papo besta de mulher egoísta.

Um livro controvertido acaba de ser lançado por uma psicanalista de nome Corinne Maier. Para ela, “filhos custam caro, poluem, e afundam a existência das pessoas”. Que espelho. Ela não deve ter custado um centavo, nunca poluiu e nem afundou a existência de ninguém. Vai ver é isso. Nasceu de chocadeira, nunca peidou e afundou a vida de alguém, mas como não foi a dela, não doeu. Quando não dói a gente não sente mesmo. Todavia a escritora cita lá 40 razões para não parir. No entanto ela tem dois filhos adolescentes. Eles devem estar adorando saber que eles são o “pé-no-saco” da vida da mãe deles. É uma delícia saber que a mãe da gente não nos quer. Quem vai querer então, né? O traficante, quem sabe.

A jogada da escritora, muito mais marketeira que letrada, é dar a entender que se trata de uma ironia. Tipo assim: filho é bom mas é ruim, eu os amo mas os odeio e por isso esses monstros são lindos. O livro anterior, também com a finalidade única de pendurar a melancia no pescoço, tratava de ensinar como se manter no emprego trabalhando o mínimo possível. Que coisa mais instrutiva. O título era “Bom dia, preguiça”. Ficou conhecida mas perdeu o emprego que tinha. E agora vem com essa estupidez de querer fazer controle de natalidade com agressões jocosas sobre crianças que nasceram, muitas vezes, das orgias das próprias mães. Bebem, perdem a noção, vão pra cama com alguém que só descobrirão no dia seguinte, e depois a culpa é do óvulo que estava na trompa.

A verdade é que as mulheres que vão ler e adotar algumas das idéias dessa imbecil, não têm a mais vaga noção do que fazem se o fizerem. Daqui 30 anos essas mulheres inúteis, moralmente estéreis, não vão ter nem garoto de programa para contratar, porque eles não nasceram. Elas estão lindas aos 30, 40 ou até 50 anos, mas depois dos 50 a única coisa que não despenca é a gengiva. Aí vão pra faca esticar a pele e deformar o rosto. Só os médicos concordam com as pacientes que ficaram lindas depois das plásticas, já notaram isso? Todos os demais, salvo as exceções poucas, acham que ficou pior do que era. Eu escuto isso todos os dias. Ontem mesmo pedi informação sobre uma mulher que fez plástica e o relato foi o mesmo. Ficou tudo mais ou menos do mesmo jeito, com exceção dos peitos, que recebera silicone, e aí fica a coisa feia, cheia de estrias e defeitos, mas empinadão. Só que os homens não as querem mais. Continuarão a procurar as mais novinhas cujas mães “ignorantes e mal informadas” deixaram nascer.

Esse egocentrismo é danoso para o mundo, mas é danoso para a própria mulher, quase com certeza fadada a morrer sozinha numa casa de repouso, se tiver dinheiro, ou para um asilão mesmo, se ficar pobre durante a vida. Na vida há tempo demais. Aliás dobraram o tempo. Inventaram adolescência para os adultos serem irresponsáveis às custas dos pais e nunca serem punidos por isso, já saem de casa só beirando 30 anos, só querem ter, ter, ter, e ter mais, e não querem dar nada em troca, depois entram na Terceira Idade, e vivem mais 40 anos e vão morrer aos 110. Antes, aos 50, já estávamos com o pé na cova.

Ainda bem que quem tem filho sabe que o que eu escrevo é uma grande verdade e, salvo as mimadas que nem arrumam a cama, todo mundo quer casar e ter família e, se forem passear, vão todos juntos: pai, mãe, filhos, cachorro, papagaio e o filho da vizinha que estava sobrando ali do lado e quando viram já estava dentro da farra. As que não têm filhos ainda, mas podem ter, podem até achar que a autora esperta tem razão. Mas não tem. Filho ocupa tempo, mas é notório, desde os tempos que se alugava barriga para gestar, que quem tem não vê nada nessa vida mais importante ou valioso. Até a dona da barriga alugada quer a criança para ela.

Há que haver controle de natalidade. Não faz mesmo sentido uma mulher sem orientação e pobre ter 8 ou 9 filhos, mas daí a pregar a moda do “Filho-Zero” é de uma estupidez sem fim. Não sei se isso faz muita diferença, mas eu tenho um profundo desprezo e repúdio por mulheres que não querem ter filhos para não ter que cuidar ou, ainda mais indecente, para não deformar o lindo corpinho. Um dia pegam uma ansiedade patológica, se mudam para a geladeira e engordam 40 quilos. Vou morrer de rir. Pobres infelizes. Mal sabem que estão perdendo os maiores amigos de suas vidas. Hoje, 1º de novembro, é aniversário do meu filho Norbert. 20 anos. Nunca tive um amigo tão legal, um parceiro tão leal e alguém de coração tão bom.

Eu quero é distância dessas mulheres, coisinhas estéreis, nem fruto dão, que só querem ser mãe e filha de si próprias. Vão morrer juntas. A mãe que não pariu junto com a filha que não nasceu. Não têm nem história para contar. De qualquer maneira há que se ver a luta de tantos casais buscando de todas as formas, natural, artificialmente, ou mesmo por adoção, ter uma criança para educar e dar futuro.

Essas pessoas sabem que eu não me refiro a elas, tenho certeza que concordam comigo, e devem dividir o mesmo nojo em relação a propostas estúpidas em cima da maior dádiva da Natureza. A PROCRIAÇÃO.

01.11.2008

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